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terça-feira, 11 de junho de 2013

Louvor de São Francisco de Assis




Vendo a obra, vejo Deus; sentindo Deus, sou Amor. 
Oh!... quantas coisas se escondem de mim, de vós, de todos, filhas do Criador. 

Sinto-me nada, ante a grandeza do universo; 
sinto-me verme, pelas belezas que desconhece o meu coração. 

Deus tem filhos no mar, nas estrelas, no ar; 
Deus tem filhos nas árvores e na terra. 

Deus tem filhos até nas guerras. 
Que beleza a função da natureza!... 

Vejo a luz surgir no escuro, vejo a vida perfeita nos monturos; 
vejo o céu nas águas do mar, 
vejo e sinto o Amor no amar. 

Quando descanso, a natureza trabalha; 
quando durmo, a natureza trabalha; 
quando trabalho, a natureza trabalha; 
Quem eu sou?... Nada, diante desta batalha. 

Deus é Deus dos justos, Deus é Deus dos párias, 
Deus é Deus dos que viajam. Deus é Deus dos que ficam em casa!... 

Deus é Deus das sombras, Deus é Deus da luz, 
Deus é Deus das trevas, Deus é Deus de Jesus!... 

Quando estou cansado. Deus está ocupado; 
quando estou reclamando, Deus está obrando. 

Quando blasfemo, Deus está entendendo; 
quando tenho ódio, Deus está amando. 

Quando estou triste, Deus está sorrindo. 
Deus é Sabedoria e eu estou sonhando!... 

Que beleza a natureza!... 

Que beleza a profundeza da existência, e do existir. 

Eu não compreendo, mas luto para me corrigir;  
porém, em frações do tempo, logo quero ajuntar e Deus repartir. 

Quero colher, quero usurar; e Deus passa por mim a semear!... 

Luto de novo, mas ainda não sei lutar; 
penso na disciplina, mas não me deixo disciplinar. 

Avanço... caio! Tomo a avançar. 

E Deus me ouve, passa novamente por mim, 
olha para meus olhos, sente meu coração. 

E fala baixinho em meu ouvido: Vem, vou te ensinar a amar. 

Deus Se retira!... Sinto Sua ausência!... Peço clemência! 

Mesmo assim. Deus não Se esquece de mim. 

Manda um Anjo em meu encalço, num carro fulgurante de luz. 

E de braços abertos, caio por terra; 
pensei que era o Cristo de Deus, que era Jesus! 

E o cortejo dos céus entra em mim, em cântico de louvor. 

Abre o meu coração, deixando dentro dele um tesouro de luz!... 

O tesouro da dor. 

extraído do livro "Francisco de Assis" de João Nunes Maia pelo espírito de Miramez

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