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quinta-feira, 15 de março de 2012

"Nossa espiritualidade é a responsável pela nossa moral"




Fico otimista ao confirmar - e faço-o frequentemente - que nós podemos inventar o futuro. Não somos perfeitos, temos a possibilidade de nos aperfeiçoar. Uma dádiva que a vida oferece e não devemos desperdiçar.

Rápida historinha: o relógio caiu. Tinha mais valor afetivo do que material. Estropiado, levado à bancada, aberto, os ponteiros recolocados, tudo recalibrado pela precisão das pequenas ferramentas do relojoeiro e sua indispensável lupa, ficou novinho, funcionando maravilhosamente bem, "pronto pra outra" como se diz, que beleza.

Segunda historinha: o menino tropeçou. Três ou quatro degraus rolados e um braço quebrado. Valor inacreditavelmente inestimável. Mais espanto do que dor. O ortopedista, com dedicação e coragem, arranjou tudo, cuidou e despachou. Em menos de um mês, nada mais de gesso, recuperação perfeita, tudo no lugar e forte.

Bom saber que a Natureza se dobra frente à competência humana, que não estamos inteiramente (o que não quer dizer que não estamos em bom grau) prisioneiros dela, à mercê. Temos passagens, possibilidades de escape, formas de combater seu determinismo.

Da mesma maneira que podemos reformar relógios e (mais espantoso) membros humanos, temos como aprimorar nossa conduta espiritual. Para nós está facultada a possibilidade de nos aperfeiçoarmos ao longo da vida. Não estamos algemados, imóveis, cerceados por um programa específico. Podemos construir nossas escolhas na vida cotidiana espiritual.

Nossa situação é poder evoluir, não obedecer cegamente o que quer que seja, ousar. Sabemos que um pombo morreria de fome ao lado da vasilha com as melhores carnes, e um gato diante de uma porção de frutas não sobreviveria tampouco. Sim, são questões naturais. Nossa condição é outra.

No animal a natureza fala fortemente, não permite que não se obedeça. Nós podemos transcender exatamente porque nossa essência é generosa, realiza-se espiritualmente em diversas direções.

Acima de naturais, somos seres espirituais. Não estamos controlados por nenhum código determinante. Nossa espiritualidade é a responsável pela nossa moral, bem afastada dos instintos. Além do mais, é bom frisar, podemos escolher o caminho que queremos trilhar. Não custa lembrar e cuidar dessa preciosa possibilidade que é poder optar - sempre com atenção e responsabilidade.

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